A internet das coisas, assim como a inteligência artificial, já faz parte da rotina de um grande número de pessoas e profissionais. Ela é usada sem que se perceba. Também, sem que muitas perguntas sobre se há um possível perigo na sua utilização sejam feitas. Ao menos, não em relação àquilo que já faz parte da rotina. Ao contrário daquilo que não está inserido no dia a dia.

Mas, será que faz sentido se perguntar sobre um suposto perigo no uso da tecnologia? Ainda mais considerando que estamos cercados por ela?

Talvez, a pergunta tenha que ser outra: quais são os valores, princípios e preconceitos empregados no desenvolvimento dessas tecnologias?

Já que a tecnologia tem mudado a forma como pensamos e evoluímos, é preciso ter a ciência de que ela não é infalível. Além disso, ter a ciência de que é desenvolvida conforme os objetivos das empresas.

Por exemplo, uma concessionária de carros que possui câmeras capazes de reconhecer as reações dos clientes. A empresa usa essa informação para ser mais eficiente nas vendas. Ou seja, está usando a internet das coisas e suas possibilidades em busca da lucratividade.

Isso desperta uma outra discussão sobre dados. Afinal, as expressões faciais pertencem à pessoa. Pode a concessionária filmá-las sem o seu conhecimento para usar suas reações como base da abordagem da compra?

Por outro lado, não há como a tecnologia se sobressair sem dados. Para que as empresas possam desenvolver de forma bem-sucedida seus sistemas, elas precisam de um “oceano” de informações.

É com base em dados que a internet das coisas desenvolve e treina seus sistemas que usam inteligência artificial. Mas, para isso, os dados precisam ser coletado. Isso significa que para reconhecer as reações humanas, essas imagens precisam ser captadas e ensinadas à “máquina”. Já para serem ensinadas, têm de ser rotuladas. Quem faz isso senão as pessoas por trás do desenvolvimento dessa tecnologia específica?

Assim, uma crença acaba de ser derrubada. Não há como pessoas serem substituídas por sistemas inteligentes. Simplesmente porque a inteligência artificial sabe na medida de quem a desenvolve. Que outros desafios, além da ideia de substituição, há relacionados à inteligência artificial e à internet das coisas? É mais uma pergunta a ser respondida neste texto.

O que a internet das coisas e a inteligência artificial nos reservam?

Pelo menos há dois grandes desafios que a internet das coisas e a inteligência artificial imporão, especialmente ao meio jurídico, onde estão sendo vistas com certo receio:

1. Identificar as dores e investir em solução

De todas as atividades que advogados e juízes realizam todos os dias, quais tomam a maior parte do tempo desses profissionais? Porque, sim, essa é uma dor que está latente há algum tempo. Não fosse assim, a Justiça não teria tantos processos esperando para serem solucionados.

Considerando que há soluções capazes de reduzir o tempo necessário para a execução das tarefas a cargo dos magistrados e dos advogados, por que não fazê-lo? Sabendo, por exemplo, que há como identificar processos semelhantes, há razão para manter uma pessoa para analisar e agrupar esses processos quando uma solução pode fazer isso de forma muito mais dinâmica?

Em um caso assim, não usar a tecnologia existente para poder focar em coisas mais importantes soa até como um retrocesso. E não há como retroceder. De qualquer forma, a tecnologia irá acontecer.

2. Especialização de atuação em face das novas realidades

O Instituto Global McKinsey, nos Estados Unidos, publicou um estudo em que sugere que 51% dos empregos hoje ofertados no mundo estão suscetíveis a serem substituídos 100% por máquinas. Como deve se preparar o advogado trabalhista para essa realidade, por exemplo? Será esse cenário facilmente regulado?

Questões semelhantes podem surgir em outras áreas do Direito: Consumidor, Civil, Penal. Elas precisam ser bem compreendias, pois, qualquer pessoa que se sentir lesada de alguma forma, em algum desses campos, recorrerá ao advogado para auxiliá-la. Estará o advogado suficientemente preparado para dar esse suporte?

É mais nesse sentido que o advogado precisa estar preparado, porque as questões legais continuaram existindo e precisarão ser pensadas em todas as suas complexidades. Não há como uma máquina fazer isso. Por isso, corrobora-se o fato de que a substituição se dará em atividades repetitivas e braçais. Dificilmente será criativa.

Ainda assim, não há o que esperar, em face das novas realidades, o momento de começar a observar mais atentamente e se envolver ativamente no mundo da internet das coisas e da inteligência artificial é agora. É só observar as pessoas que parecem estar a frente do seu tempo. Elas começaram a se envolver com as questões que tanto dominam anos antes de elas entrarem no centro dos debates.

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