Foi-se o tempo em que bastava ao advogado ter o conhecimento da lei para atuar nos mais diversos ramos. Hoje, cada vez mais, o mercado de trabalho demanda profissionais especializados, com capacidade de trabalhar em equipe e com conhecimentos multidisciplinares. Essa é uma realidade também para quem gostaria de atuar como advogado corporativo.

O advogado corporativo é aquele que atua nos departamentos jurídicos das empresas. É uma função cada vez mais valorizada, já que o escopo de trabalho é abrangente: contencioso cível, trabalhista, direito empresarial, tributário, fusões e aquisições, gestão de riscos, compliance, LGPD. Só para citar alguns. O mercado de trabalho é amplo e dinâmico.

A profissão mudou muito. Na década de 1970, o perfil do departamentos jurídico no Brasil era mais próximo de um escritório de advocacia interno. O foco era basicamente no contencioso interno da empresa, principalmente o trabalhista. Os profissionais também se comportavam diferentemente: predominava a formalidade, tanto na vestimenta quanto na linguagem. Hoje o cenário é outro, e é sobre isso que vamos tratar neste artigo.

Escritórios de advocacia x Departamentos Jurídicos

Quando nos referimos à profissão advogado corporativo, estamos falando naquele que atua dentro dos departamentos jurídicos. Não quer o Direito Empresarial esteja restrito a isso: ainda são necessários serviços de escritórios de advocacia especializados na área. Inclusive, percebemos que uma atuação conjunta entre departamento jurídico e escritório de advocacia pode ser um modelo de sucesso para as empresas.

O perfil do advogado corporativo e do advogado de escritório também é diferente. Isso se dá muito em relação à abrangência dos serviços. Ao primeiro, espera-se um comportamento sinérgico em relação às outras áreas da empresa, bem como conhecimentos multidisciplinares e uma atuação focada em apenas um setor. Ao segundo, a obrigação é ter um conhecimento técnico-jurídico mais acentuado – afinal, escritórios costumam atender vários clientes e mais de um setor.

 “Outro ponto é que o advogado de empresa costuma se especializar em um segmento, seja da indústria farmacêutica, automobilística, varejista… E ele tem relação com o risco um pouco diferente, porque está literalmente dentro do negócio. O advogado de escritório também precisou evoluir e se modernizar para trabalhar com as empresas, mas ele tem outros clientes e uma série de outras atividades jurídicas puras”, definiu o professor e advogado Leonardo Barém Leite, especializado em Direito empresarial, em entrevista ao ConJur.

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Perfil do advogado corporativo

Como abordamos anteriormente, o cenário da advocacia corporativa mudou, e o perfil dos profissionais também. Primeiramente, os departamentos jurídicos deixaram de ser um escritório interno e passaram a ter um papel mais estratégico na empresa. Espera-se, portanto, que um advogado corporativo tenha amplo conhecimento sobre a operação, o mercado e o setor em que atua.

O foco apenas no consultivo também foi superado. Agora, os profissionais se envolvem mais com o cotidiano da vida empresarial. São requeridos a opinar sobre planejamento estratégico. Daí a necessidade de se buscar uma formação multidisciplinar, com conhecimentos em finanças, gestão e negócios.

Ainda no sentido de ir além do consultivo, espera-se do advogado corporativo uma atuação no consultivo e no preventivo. Daí a importância de olhar bastante para dentro da operação, de forma a corrigir gargalos e fatores de risco. O departamento jurídico deve ser um setor parceiro dentro da empresa, de forma a colaborar e aconselhar as outras áreas. Nesse sentido, entra também a sinergia entre departamento jurídico e escritório de advocacia (quando houver), de forma a um complementar as especialidades do outro.

A operação das empresas também é mais dinâmica. Os departamentos jurídicos não são mais ilhas, isoladas dos demais setores. O advogado corporativo deve saber trabalhar em equipe e correr certos riscos, indo além do “isso pode, isso não pode”. Deve ter um perfil mais prático e analítico, utilizando soluções tecnológicas para tomar decisões.

Por fim, a formalidade também ficou no passado. Na maioria das empresas, o terno e gravata já foi superado; em muitas, até mesmo a camisa de botão já é dispensável. Mas mais importante que a vestimenta, é a linguagem. O empresário espera que seu advogado jurídico tenha uma linguagem direta, informal e prática. Que apresente soluções, e não apenas “sim ou não” se expressões em juridiquês.