Há muito tempo, o mundo gira em torno de dados e informações. O conteúdo produzido nos Tribunais é uma fonte rica, que pode ser minerada. A extração dos dados certos é o ouro que contribui para que decisões mais inteligentes e favoráveis possam ser tomadas. Mas onde se encaixa a ciência de dados?  

A ciência de dados é o que contribui para que muitos departamentos jurídicos e, também, escritórios de advocacia consigam compreender profundamente não só a empresa ou seus clientes, como também a área em que atuam.  

Tanto os escritórios de advocacia quanto os departamentos jurídicos que já entenderam o quanto o Big Data contribui para o fortalecimento das estratégias, estão investindo igualmente na contratação de cientistas de dados e na aquisição de soluções personalizadas para esse fim.  

O motivo para o olhar dos profissionais do Direito estar direcionado para a ciência de dados é o que ela é capaz de fazer. Por exemplo, compreender o cenário atual e projetar cenários futuros. Ou, então, adquirir dados confiáveis para refinar o planejamento e antecipar soluções. O resultado disso? É o nosso próximo assunto.  

4 lições que quem investe em ciência de dados pode aprender 

Lição 1: Dados melhores geram resultados mais eficientes  

Parte dos escritórios e departamentos que têm a cultura da análise de dados, até então tem a usado de uma forma tradicional. Ela é utilizada mais para levantar tendências. Dificilmente essa verificação é feita para projetar possibilidades futuras. E isso é algo que a ciência de dados se propõe a fazer.  

A partir da busca de informações em dados públicos disponibilizados pelos Tribunais e a estruturação desses dados, os escritórios e departamentos conseguem antecipar se há ou não chance de se obter decisão favorável em um determinado processo ou não. Esse conhecimento é o que permite aos resultados serem mais assertivos.  

Lição 2: Multidisciplinaridade traz novas ideias  

Até o momento em que a ciência de dados adentrou o mundo do Direito, as equipes atuantes nos escritórios de advocacia, por exemplo, eram pouco diversas. Em alguns, com exceção da recepcionista, todas as outras pessoas eram graduadas em Direito.  

Nos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos que apostam na contratação de um cientista de dados ou mais, a realidade já é outra. Mesmo nos que consideram mais vantajoso contratar uma solução personalizada a ter um cientista de dados, há uma diversidade que contribui para o surgimento de novas ideias.  

Um dos clientes do Convex, por exemplo, não tinha ideia de que em janeiro havia um pico de crescimento no número de ações trabalhistas no qual era envolvido. Isso antes da reforma trabalhista. Quem mostrou essa informação para eles e sugeriu uma investigação do porquê dessa ser a realidade de todos os anos foi uma das advogadas que atua diretamente na personalização da solução para cada cliente.  

Lição 3: As soluções são rápidas e objetivas  

É certo que, por muito tempo, os escritórios de advocacia e departamentos jurídicos atuavam, por assim dizer, no escuro. Basicamente, eles recebiam as demandas dos clientes, traçavam um plano de ação, mas não sabiam qual seria o resultado. A dificuldade era ainda maior quando os casos eram muito complexos.  

As causas comuns até sabia-se no que poderia resultar, pela experiência e conhecimento trocado com outros advogados. Mas, para questões que eram exceção à rotina, poucas eram as informações a que se tinha acesso.  

A ciência de dados mudou também essa realidade. Desde que passou a ser usada, praticamente não há problema complexo que não possa ser respondido por ela. E o retorno é rápido e objetivo. Ou seja, contribui para que as decisões sejam tomadas de forma mais ágil.  

Lição 4: O valor agregado é alto  

A resolução de problemas reais dos clientes dos escritórios e das empresas, a partir da análise de dados, uso de machine learning e inteligência artificial, tem posicionado os escritórios e essas empresas no advento da advocacia 4.0. Também tem feito com que consigam agregar um alto valor a sua forma de atuação.  

Independentemente de a causa ser simples ou complexa, a ciência de dados consegue, no mínimo, apontar um caminho assertivo para a resolução da questão. Não são raros os casos em que ainda se manifestam alguns insights que acabam por cooperar com as decisões estratégicas.  

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A lição final  

Por fim, a conclusão a que se pode chegar é que o uso da ciência de dados ainda é uma cultura que precisa ser criada nos escritórios de advocacia e nos departamentos jurídicos. Há os que já a utilizam e têm percebido as mudanças positivas. Para além disso, que é possível operar a partir daquilo que os dados.  

 Entrar nessa nova era requer atitude e disrupção. Afinal, estamos na era da transformação digital e, ao que tudo indica, a ciência de dados tem um papel importante nessa transformação, que não pode ser ignorado, e sim amplamente aproveitado.