O que mais de interessantes os diretores jurídicos fazem para terem tanto sucesso na carreira? Entender isso depende da compreensão de como se deu a jornada de cada um como líder. Por isso, é difícil estabelecer uma “receita de bolo” para se tornar um diretor jurídico equivalente. Afinal, cada um detém experiências e vivências pessoais únicas. Entretanto, podem ser identificadas algumas características em comum.

Por exemplo, muitos iniciaram a carreira como autônomos. Portanto, trabalhavam sozinhos em seus escritórios de advocacia e se responsabilizavam por todas as funções: agendar atendimentos, elaborar petições, participar de audiências, realizar os pagamentos e afins. Outros, atuavam como parte de um escritório de advocacia, ou seja, eram prestadores de serviço de profissionais de advocacia com maior experiência de mercado à época.

No entanto, não se deixavam intimidar. Pelo contrário, procuravam se desenvolver e de forma rápida. Também, adaptar-se às circunstâncias, já que o estilo de liderança pode variar, dependendo de onde se atua.

Esse comportamento já derruba um dos mitos da liderança. O de que grandes líderes nascem líderes. Na verdade, o que existe são pessoas com habilidade para interagir com outras, influenciar e engajar. Sendo assim, são pessoas que têm uma tendência a serem melhores diretores jurídicos.

Já as pessoas que querem tornar-se líderes dessa maneira, que veem sentido em conduzir outras pessoas para alcançar um determinado objetivo, dedicam-se e estão abertas a mudar os padrões de comportamento necessários, podem se tornar, também, excelentes diretores jurídicos.

Um líder não precisa ter todas as respostas. Essa é outra ideia errada que precisa ser desmitificada, junto com algumas outras.

Comportamentos dos diretores jurídicos de sucesso

A expectativa das equipes é a de que diretores jurídicos sejam infalíveis e tenham tudo sob absoluto controle. Por quê, podendo as respostas serem encontradas em conjunto por todos, isso caberia somente ao diretor jurídico?

Uma pessoa só, com todas as respostas, pode ser mais um fardo do que uma contribuição para uma equipe. Houve um tempo em que os diretores jurídicos estavam no centro das atenções. Atualmente, a confiança de que cada um fará a sua parte, mesmo sem o olhar atento e o acompanhamento contínuo do diretor jurídico, é a prática mais adotada.

A construção da confiança, aliás, é primordial no exercício de qualquer tipo de liderança. Uma das maneiras de se construir esse alicerce é deixar às claras sob quais circunstâncias há um bom desempenho e quando é preciso trabalhar mais para alcançar os resultados.

Pessoas que parecem nunca ter errado ou ter lutado para conquistar algo, dificilmente conseguem obter a confiança de outras. Diretores jurídicos de carreira sólida são aqueles que acompanham as entregas da equipe e, por vezes, executam as tarefas junto, quando é preciso.

Liderança é para quem está a fim de trabalhar duro. – Ana Rezende, sócia da Lidehra Coaching & Desenvolvimento

Responder às instabilidades e, na medida do possível, antecipá-las, é mais um dos comportamentos esperados de diretores jurídicos. Segundo uma pesquisa veiculada na revista Exame, entre esses comportamentos e habilidades, devem constar, ainda:

  • Conhecimento técnico: especialmente considerando que a advocacia exige um conhecimento da legislação.
  • Gestão de pessoas: gerenciamento da equipe que trabalha por um objetivo comum.
  • Visão de negócios: compreensão das necessidades e oportunidades do mercado.

3 atitudes de diretores jurídicos ineficientes

Conhecer os comportamentos esperados dos diretores jurídicos é tão essencial quanto o entendimento sobre quais são as atitudes de líderes que tendem a conduzir equipes ao fracasso. Um pesquisa divulgada na revista Forbes revelou que essas atitudes são:

1. Ausência de conexão

Hoje, a lealdade que as pessoas detêm está intimamente ligada ao propósito de cada uma. Assim, caso esse propósito não esteja de acordo com o do departamento jurídico ou escritório de advocacia, a insistência na permanência é menor. Portanto, a falta de uma liderança capaz de mostrar como a empresa ou o negócio jurídico quer se posicionar, conversar com as pessoas da equipe sobre seus ideais e conectar essas duas questões faz com que muitas pessoas busquem novas oportunidades em locais que estejam mais de acordo com o seu pensamento e o que desejam para si.

2. Incapacidade de atuar sob pressão

A ausência de diretores jurídicos interessados e com habilidade para gerar um ambiente de trabalho saudável, e lidar com pressão, que consiga não repassar isso para as pessoas da equipe sob sua coordenação, resulta em frustração. Esse sentimento, por consequência, é direcionado para os clientes. Dessa maneira, o atendimento dispensado a eles se torna mais agressivo e impaciente, os prazos importantes deixam ser cumpridos e as relações se fragilizam.

3. Falta de clareza

A constante falta de clareza sobre os objetivos da empresa ou escritório de advocacia, ou do próprio colaborar, quais prazos são importantes cumprir e por quê, e quais são as prioridades, faz com que os recursos sejam mau empregados e se percam.

Enfim, ser um diretor jurídico de sucesso é complexo. Líderes focados em resultado são diferentes de líderes de empreendimentos inovadores. Esse, por sua vez, é diferente daquele que visa apenas os resultados. Os comportamentos valorizados e os não tolerados na equipe são diferentes. Com base nisso, há que se entender que diretores jurídicos são exemplos desses comportamentos e também detêm perfis diferentes.

Por isso, o que fica é a reflexão: sendo líder, o lugar em que se está atuando reflete a cultura que, como líder, almeja-se construir? O desempenho de diretores jurídicos se torna mais transparente e fluido quando não é exigida uma grande adaptação ao ambiente. Por esse motivo, a resposta sincera à pergunta é o ponto de partida e a principal para diretores jurídicos que trabalham para ter sucesso.