O futuro do mercado jurídico é empolgante para alguns e preocupante para outros. Afinal, a tecnologia já é uma realidade nesse meio e com tantas soluções prometendo colaborar com profissionais de advocacia, a incerteza sobre o futuro paira no ar.

Embora muito se afirme que a tecnologia não irá, de forma alguma, ocupar o lugar de profissionais do Direito, ainda não há uma total compreensão de que a tecnologia é mais uma ferramenta a favor da advocacia.

A questão é que não há como fugir dela. Histórica, evolutiva e biologicamente, está comprovado que a máxima “adapte-se ou morra” faz todo o sentido. Um exemplo é a forma como este texto foi escrito. Por meio do computador, uma tecnologia que todos usam hoje em dia, queiram ou não. Conforme a sua utilidade e facilidade foi-se comprovando, as máquinas de escrever ganharam outra função. Tornaram-se objetos decorativos, que contam histórias em museus e brinquedos para crianças.

Assim aconteceu com os telefones, quase abandonados em tempos de atendimento virtual, WhatsApp e chatbot. Assim acontecerá com muitas outras ferramentas que surgem para tornar a vida mais moderna.

Com a inserção da evolução operada pela tecnologia na vida privada, sem que quase não se dê conta – por estar tão naturalizado o fato de o celular alertar quanto tempo deve levar para estar em casa, após encerrar o dia de trabalho -, o mais natural seria esse avanço inserir-se em áreas improváveis da vida profissional, como vem acontecendo.

Portanto, não chega a ser uma novidade que no centro do futuro do mercado jurídico está uma gama de possibilidades proporcionadas pela tecnologia.

O que esperar do futuro do mercado jurídico?

As novas soluções tecnológicas tem um potencial competitivo que pode ser aproveitado pelos negócios jurídicos que souberem fazê-lo. Há possibilidade de criar novos nichos de atuação, poucos ou não explorados, a partir da leitura do momento atual e para onde ele se direciona.

Há profissionais de advocacia investindo, por exemplo, na internacionalização de empresas porque vislumbra o crescimento no cenário de startups e o interesse de muitas delas em expandir os negócios para outros países.

É um movimento que exemplifica como profissionais atentos às mudanças tecnológicas podem ser beneficiados por elas. Há, lá fora, em algum lugar, clientes com necessidades específicas. Mas, como será possível olhar para eles se esse olhar não for desviado da rigidez e tradição do formalismo do Direito tecnicista e acadêmico, resistente à inovação?

O futuro do mercado jurídico requer disrupção. Profissionais que saibam usar os recursos ofertados pela tecnologia para criar soluções próprias, personalizadas, que atendam às demandas de uma vida cada vez mais digital.

A agilidade é um princípio importante dos novos tempos. Cobrado já agora, e ainda mais forte conforme os avanços acontecem. Esperar é a última das opções. A rapidez exigida não permite que profissionais da advocacia estudem primeiro, para dar a resposta depois. Antes de a pergunta ser feita, a resposta já precisa estar pronta. Como?

A resposta é tecnologia. Usar uma ou mais soluções que possibilitem ter as respostas para os questionamentos que possivelmente serão feitos pelos clientes é condição básica para quem espera viver o futuro do mercado jurídico.

Por que a tecnologia faz parte do futuro?

Já hoje é possível observar um comportamento que estará ainda mais internalizado no futuro. O cliente entra em contato querendo saber quantos acordos foram feitos no ano, nos processos em que estava envolvido. Em escritórios sem qualquer solução tecnológica, o levantamento dessa informação é feito manualmente. Horas são dedicadas a isso.

Por outro lado, em escritórios em que o uso de tecnologia para a análise de dados faz parte da cultura, quando o cliente questiona sobre a quantidade de acordos, a resposta surge em minutos. Resultado: o escritório de advocacia prova que está atento, demonstra o seu valor e qualidade no serviço jurídico.

Apesar de parecer paradoxal, algo que integra o momento atual e fará parte do futuro do mercado jurídico também são as relações humanas. Agora já se observa o quanto a tecnologia exige que as pessoas estejam mais próximas. As próprias habilidades que uma pessoa deve ter para atuar no mercado de trabalho futuro demonstram isso. As mais valorizadas são as comportamentais, as soft skills.

Também, pudera. Com as tecnologias automatizando tarefas, todo o trabalho criativo e colaborativo, inclusive na área do Direito, será conduzido por pessoas, porque máquinas não tem o poder de cognição e interação do ser humano.

Toda a questão é se preparar para o futuro do mercado jurídico que se desenha nos tempos de agora e promete se fortalecer nos tempos que estão por vir. Lembrando que se trata de uma questão evolutiva, ou seja, quando se acreditar que o futuro chegou, terá outro por se descortinar, com novos desafios, exigindo novas habilidades. O ponto é se adaptar para não morrer.