Os tempos mudam e a gestão de departamentos jurídicos também. O modelo até pouco tempo instaurado, de um jurídico que praticamente não se envolvia com outras áreas da empresa e se dedicava à resolução dos processos, já se torna inusual.

Agora, mais do que chegar na empresa e ter como máximo de interação o bom dia dirigido aos colegas de outras áreas, a equipe jurídica que opera sob a regência do novo modelo de gestão de departamentos jurídicos participa de reuniões e compreende profundamente a operação dessas outras áreas, dando o suporte e a assessoria jurídica necessários para agir preventivamente e realmente impactar nos resultados estratégicos da empresa.

Portanto, foi-se o tempo em que a equipe jurídica somente direcionava algumas iniciativas porque dominava o ponto de vista legal. Novos tempos exigem reinvenções e a gestão de departamentos jurídicos vivencia este momento. Basicamente, ao invés de envolver-se quando a questão legal surge no final, por insatisfação ou outra questão, envolve-se já no começo, para contribuir com cada etapa das ações desencadeadas para alcançar os objetivos das organizações. Ou seja, a atuação do departamento jurídico moderno é muito mais estratégica do que operacional.

Empresas que já entenderam esse momento da gestão dos departamentos jurídicos e buscam atuar de maneira inovadora, tem colhido resultados visíveis. Por exemplo, a MRV Engenharia. Recentemente a empresa divulgou o novo modelo de contrato.

O documento que antes era “longo e muitas vezes escrito para o público errado (advogados e juízes)” tornou-se “simples (e reduzido)”, “”fala com o cliente” e explica todas as cláusulas na linguagem dele. Excluímos expressões como “as partes estabelecem livremente que” e passamos a utilizar frases como “você sabia que” e “vamos fazer mais um compromisso?”. Ficou super legal!”, escreve o diretor Jurídico da empresa, Guilherme Freitas, em seu LinkedIn.

3 formas de inovar na gestão de departamentos jurídicos

Sair do convencional. É isso o que a MRV fez ao formular o contrato de uma maneira que o cliente entenda. Com isso, além de tudo, conseguiu gerar maior valor para a empresa. Afinal, a primeira pessoa que assinar o primeiro novo contrato pode se sentir tão surpresa ao ponto de contar essa experiência para várias outras pessoas do seu convívio. Assim, em uma ação simples, percebe-se o quanto o jurídico pode contribuir para gerar valor e também prospectar clientes.

No entanto, essa possibilidade não é exclusiva da MRV. Todo departamento jurídico que deseja fazer mais do que analisar de maneira técnica os processos pode fazê-lo, com o apoio de ferramentas que contribuem para melhorar os resultados da gestão de departamentos jurídicos.

1. Medir o desempenho

É muito comum (ou era) no Direito o não acompanhamento do desempenho de profissionais de advocacia. O máximo nesse sentido que se tinha (ou tem) era (é) determinado pelo número de casos ganhos. Ainda assim, a quantidade partia de um certo achismo, pois, o controle não era (é) rígido.

Somente há pouco tempo a mensuração do desempenho das equipes jurídicas passou a ser debatida no meio e a ser inclusa na rotina diária de profissionais do Direito.

É inegável que esse momento chegaria. Ainda mais considerando que as empresas estão cada vez mais instituindo o uso de dados para a tomada de decisão. Não há porque no departamento jurídico isso ser diferente.

Os dados podem mostrar onde estão as falhas e no que a equipe jurídica se destaca. É por isso que criar indicadores de desempenho e acompanhá-los é uma das formas de inovar na gestão de departamentos jurídicos.

2. Analisar os dados dos processos

O perfil habitual do departamento jurídico é o de ser reativo. Chegou a notificação de um processo, então, é hora de agir. Por muito tempo foi assim, até surgir uma possibilidade de mudança, a de analisar os dados dos processos.

Com isso, surgiu a oportunidade de melhorar, e muito, a gestão de departamentos jurídicos. A partir da observação das informações geradas pelo volume e histórico dos processos, o jurídico empresarial obtém subsídios para deixar de ser reativo e tornar-se preventivo e consultivo.

Em um exercício de imaginação, digamos que a MRV Engenharia percebe, pela análise de dados, que um grande número dos processos contra si ocorre porque as pessoas não compreendem claramente as cláusulas contratuais. Dessa observação, então, surge a ideia de deixar o contrato mais claro como uma forma de reduzir o número de ações judiciais.

Obviamente, não foi o caso, mas, poderia ter sido porque boas ferramentas de legal analytics interessadas em realmente contribuir para a eficiência da gestão de departamentos jurídicos podem gerar esse tipo de inovação.

Mas, para chegar a isso, é preciso saber para onde olhar. O que analisar. O eBook Inteligência de Dados: como tornar o escritório de advocacia um
centro de resultados
, contém alguns exemplos de quais indicadores instituir para a advocacia.

3. Interagir com a gestão de departamentos jurídicos

A integração, a interação, é necessária para o sucesso da performance do departamento jurídico. Principalmente porque o departamento que se propõe a romper com a visão antiga – de que é apenas uma área para resolver os problemas processuais quando eles surgem -, depende de uma gestão mais próxima das outras áreas da empresa.

De nada adiante querer mudar o jeito de ser e o modo de fazer somente para dentro do próprio departamento. Para ocupar um lugar na linha de frente estratégica, a equipe precisa mostrar-se como um ponto chave da operação da empresa. Isso também não se faz de trás da mesa, e sim indo até a mesa do colega ao lado e se dispondo a colaborar da melhor maneira.

Também, chamando-o para a própria mesa, mostrando a análise de dados, as iniciativas e estimulando-o para colaborar. Com isso, chegará o momento em que a falta do jurídico em uma ação será sentida, tão natural se tornará seu envolvimento com as outras áreas da empresa.

Essas três formas de inovar na gestão de departamentos jurídicos já são uma alta demanda para equipes jurídicas que se dispõe a atuar de maneira diferente da que está há tanto tempo instaurada. Qualquer outra iniciativa que faça sentido pode ser acrescentada a essas. Os comentários estão aí para serem deixadas sugestões.