Uma das coisas que o avanço da tecnologia fez foi tornar acessível a criação de uma empresa em um fundo de quintal. Assim surgiram muitas gigantes mundiais. Por exemplo, o Google e a Amazon que estão aí para comprovar a história. Por que seria diferente com as lawtechs?

Algumas da empresas hoje especializadas em oferecer soluções tecnológicas para o mercado jurídico surgiram de maneira muito similar às maiores empresas do mundo. As mais atuais ainda puderam contar com o apoio da computação em nuvem. Um modo econômico – e seguro – de desenvolver muitos dos softwares para advogados e departamentos jurídicos que estão servindo para levar o Direito a um outro patamar.

Hoje, a informação de qualidade e correta ofertada para os profissionais que atuam nessa área permitem que decisões estratégicas sejam tomadas com base em dados confiáveis. Dados que nada mais são do que informações captadas e tratadas com qualidade e confiabilidade, de forma a possibilitar às pessoas com acesso a eles que criem seus próprios estratagemas.

Ou seja, o que está mudando o Direito também é a forma como os dados são disponibilizados. Há muito tempo, a internet e e o processo eletrônico facilitaram a obtenção de informações sobre os processos. Agora, embora seja difícil prever o estado da tecnologia aplicada ao Direito daqui a cinco ou 10 anos, pode-se afirmar que o princípio do futuro da tecnologia aplicada ao Direito será usar as melhores ferramentas de pesquisa necessárias para os advogados e os departamentos jurídicos prestarem o seu serviço.

Portanto, há que se despertar uma consciência: o advogado não pode se dar ao luxo de não gostar de tecnologia, pois terá o dever de estar informado e ir atrás daquilo que pode contribuir com a execução do seu trabalho.

Queira ou não, bem ou mal, é a tecnologia que está ajudando a solucionar muitos problemas que até então pareciam sem solução. Um exemplo é a contribuição que dá à resolução do justice gap existente no Brasil.

Como as lawtechs colaboram para o acesso à Justiça

Esse justice gap é a distância existente entre haver o direito do cidadão de acessar a justiça e esse direito estar realmente sendo respeitado e exercido.

Segundo Felipe Moreno, diretor do Jusbrasil, há 1,5 bilhões de pessoas no mundo que não conseguem resolver seus problemas jurídicos. As principais razões que enumera para que tantas pessoas não usufruam de seus direitos são:

  • acesso limitado à informação e educação jurídica;
  • acesso limitado aos prestadores de serviços jurídicos;
  • serviços jurídicos ineficientes e caros;
  • sistema judiciário ineficiente, caro e burocrático;
  • ambiente jurídico pouco acurado e pouco científico.

Todas essas são barreiras que as lawtechs estão ajudando a derrubar, uma a uma. A começar pelo acesso à informação. Depois, pela criação de plataformas que conectam pessoas a advogados. E assim por diante.

Com isso, o uso da tecnologia aos poucos se consolida no Brasil e gera-se mais eficiência no setor Judiciário, há muito compreendido como ineficiente. Tudo em função de modelos de negócios inovadores.

As lawtechs e a inovação no Direito

Basta observar o radar da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) para se ter uma ideia de quantas novas ideias para colaborar com a evolução do Direito surgiram nos últimos anos.

Há desde plataformas de resolução de conflitos online a soluções de jurimetria e análises preditivas possibilitando aos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos também inovar em seus próprios negócios.

O mesmo acontece com o sistema Judiciário. A mesma clareza que um advogado possui para elaborar uma peça jurídica,  um Juiz também detém para a sentença. Com isso “traduzido” para as ferramentas de automação, a sentença pode ser mais rápida. Ao invés de três horas para ser produzida, pode levar 15 minutos com uma automação. É um ganho de eficiência que pode ter impacto gigantesco no Brasil.

São tecnologias que já estão disponíveis e potencializam a atuação de advogados, departamentos jurídicos e Juízes, sem qualquer intenção de substituir qualquer um desses ou outros profissionais que compõem o ecossistema da Justiça.

O que as lawtechs buscam, na verdade, são meios de torná-los mais produtivos e de obter resultados de melhor qualidade. Mas, para que isso seja possível de ser alcançado de fato, é necessário que pessoas e tecnologias atuem de maneira conjunta.

Afinal, hoje em dia a tecnologia já dá suporte à inteligência do negócio e é um diferencial para quem já está aplicando. Logo, tudo depende de como os profissionais do Direito estão olhando para as novas possibilidades geradas pela tecnologia.

Entender alguns conceitos é importante. Um deles é o de volumetria e de que maneira o uso dos dados impacta o Direito. Uma maneira de gerar essa compreensão é fazer o download gratuito do eBook Volumetria: como a análise jurídica impacta o Direito. Brevemente, será possível entender como a tecnologia aplicada ao Direito é uma aliada mais interessante do que se imagina.