A resolução de disputas não precisa ocorrer somente na Justiça. Há outras formas de resolvê-las com o suporte da tecnologia, que colabora para o ganho de maior escala e gestão para a área de acordos.

A proposta das soluções existentes é contribuir para a resolução de conflitos de uma forma mais eficiente. Dessa forma, milhares de pessoas jurídicas e físicas têm sido beneficiadas, já que várias disputas não são mais acrescentadas ao já volumoso número de processos do Judiciário. Especialmente as relacionadas a consumo e à área do trabalho, que representam o maior número de conflitos a serem resolvidos.

A migração dos processos do meio físico para o eletrônico já aumentou suficientemente o estoque de processos acumulados no Judiciário, ao mesmo tempo em que o índice de produtividade dos magistrados aumenta.

Portanto, o problema de ineficiência segue. Afinal, o aumento da produtividade não extingue o fato de que o processo eletrônico contribui para uma maior demanda, considerando que está mais fácil protocolar processos desde que foi instituído.

Com isso, o Judiciário brasileiro segue sendo um dos mais caros do mundo, com um custo superior a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Então, a conclusão a que se chega é a de que o processo eletrônico resolveu apenas uma parte do problema. Prova disso é que apesar da inserção de meios tecnológicos no Judiciário, a confiança da sociedade ainda permanece pequena em relação a sua efetividade.

Em razão de tudo isso, a resolução de disputas orientada por dados e apoiada pela tecnologia tem demonstrado ser uma boa solução.

Papel dos dados na resolução de disputas

Há dois papéis que os dados podem representar na resolução de disputas:

  1. Prevenção;
  2. Resolução, de fato.

Em resumo, o uso de dados contribui para que a resolução de disputas seja mais eficaz, pois permite entender o que é melhor para as partes, pois, ambas detêm suas expectativas.

O autor de uma ação de consumo, por exemplo, espera receber o valor mais alto, ou seja, aguarda que o conflito seja resolvido pela melhor das perspectivas. Nesse caso, o pior cenário para ele é receber o menor valor possível.

Do outro lado, a empresa objetiva pagar o menor valor, portanto, tem esse como o melhor cenário para si. Consequentemente, pagar o maior valor na ação é algo a ser evitado, para não representar uma derrota e nem onerar o caixa.

Mas, qual é o parâmetro que define o que é o valor desejado, qual é o pior ou o melhor cenário? Nesse caso, é o valor da sentença esperada. Afinal, a sentença é a melhor alternativa que pode ser alcançada no caso de não haver acordo.

Portanto, o sucesso da negociação gira em torno do valor que se espera ganhar ou perder quando não há acordo e da simetria entre as partes, ou seja, o quanto as partes compreendem essa questão.

Em muitos casos o acordo não acontece porque o autor acredita na possibilidade de obter um ganho maior do que efetivamente consegue ao fim do processo.

Dessa maneira, o conhecimento de cada parte acerca do valor é determinante para haver efetivamente uma assertividade maior na resolução de disputas.

Como os dados podem contribuir para a resolução de disputas?

Há que se considerar que a sentença não é igual para todo mundo e nem é a mesma para cada resolução de disputa. Logo, frente a um problema relacionado a overbooking em uma companhia aérea, por exemplo, pessoas em viagem de lua de mel terão um tipo de experiência com essa situação. Já uma outra pessoa, em uma viagem a negócios, viverá outro tipo de experiência. Assim como alguém em uma viagem de fim de semana terá outro tipo de impressão. Portanto, o dano para cada pessoa é muito diferente.

Então, como é possível entender a extensão do dano para facilitar a resolução de disputas? Uma boa perspectiva do cenário está na base de dados dos processos. Entretanto, a maior parte dessas informações mais específicas está nos dados não estruturados, ou seja, naqueles que não vem organizados, e sim é preciso organizar.

A partir do cruzamento das informações, é possível entender melhor como agrupar os conflitos e compreender quais resultados surgem desses problemas. Essa separação é o que permite gerar uma base estatística para profissionais de advocacia trabalharem de maneira mais assertiva e terem uma perspectiva de como resolver as disputas.

À base do departamento jurídico ou escritório de advocacia, podem ser adicionadas outras bases para tornar a visão ainda maior a respeito dos conflitos vividos nas empresas ou enfrentados pelas pessoas.

Como os dados podem ser usados na prática

A partir do momento que há acesso às informações geradas pelos dados, é possível observar se, por exemplo, ao ter um advogado específico representando uma pessoa, o valor da sentença é maior ou menor em comparação a outros profissionais.

As informações reveladas pelos dados também colaboram para a elaboração das estratégias para resolução de disputas. Assim, é possível determinar se é mais vantajoso para a empresa adiantar o pagamento ou estender o caso para postergar esse pagamento. Também, acompanhar despesas com processos, escritórios e o valor médio a partir do perfil do caso e da pessoa. Com isso, já é possível definir um montante para destinar para acordos.

Essas possibilidades colaboram para estabelecer uma zona de acordo muito mais assertiva e personalizada para cada situação de conflito, o que torna mais eficiente a resolução de disputas.

Enfim, a análise de dados é imprescindível para trazer uma disrupção e empoderar todas as partes com a melhor informação possível. Conforme as informações estão mais disponíveis, há maior eficiência na resolução de disputas.

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