As soft skills são um tema em alta nos últimos tempos. Em parte, porque traz para o debate conceitos diferentes do que se imaginava para o futuro.

Durante um longo período, grande parte das pessoas profissionalmente em formação tinham como certeza que quanto maior domínio possuíssem sobre o conhecimento técnico em sua área de atuação, maiores seriam as chances de conseguir uma boa posição no mercado de trabalho. Hoje, sabe-se que isso é importante, porém, não é mais suficiente. Ou seja, não adianta mais somente ter o conhecimento técnico. Também é preciso conseguir performar da maneira como o mercado atual exige.

Um fenômeno que ocorre nas empresas atualmente é o de pessoas com habilidades técnicas excelentes serem demitidas porque não conseguem se relacionar bem com os outros integrantes da equipe. Até certo tempo, algo assim era impensável. No mundo em que vivemos, esse cenário está se mostrando bastante comum.

Essa é a prova de que outras habilidades estão sendo valorizadas. Por isso, há uma busca por entendê-las e para se adaptar aos novos tempos. Essas outras habilidades são as soft skills.

Em português, o termo é uma referência às habilidades interpessoais. Àquelas competências sociais e comportamentais que se deseja ou se espera que uma pessoa detenha ou desenvolva para progredir no ambiente de trabalho.

Algumas pesquisas, como a d’O Futuro do Trabalho, feita pelo LinkedIn junto com a empresa WGSN, revelam as principais competências comportamentais necessárias para se manter ativo no novo cenário do mercado de trabalho. A relação é composta por:

  • criatividade;
  • colaboração;
  • transparência;
  • comunidade;
  • compartilhamento;
  • mindfulness;
  • capacidade de experimentação;
  • inteligência emocional;
  • empatia;
  • espírito empreendedor.

De todas essas competências, quais serão fundamentais para profissionais de advocacia? Comparando a pesquisa do LinkedIn e WSG com a análise feita por Guilherme Junqueira, CEO da Gama Academy, para identificar as soft skills mais requisitadas nos profissionais, há pelo menos quatro que não podem faltar.

4 soft skills necessárias aos advogados

Antes de revelar quais são essas soft skills tão importantes, é preciso abordar um ponto primordial sobre como desenvolvê-las. Uma boa maneira é observar como as coisas são ou estão, quais habilidades parecem estar fortemente presentes e quais é necessário aprimorar.

Também há que se considerar que o fato de alguns profissionais de Direito possuírem maior habilidade para liderar, comunicar-se, pensar criativamente e se adaptar não significa que esses não têm nada para aperfeiçoar.

Já os que acreditam que estão longe de possuir qualquer uma dessas habilidades, desde que apresentem um genuíno interesse em mudar padrões de comportamento, podem desenvolver plenamente as soft skills.

Portanto, desenvolver ou aperfeiçoar as soft skills é algo para quem está interessado em realmente se esforçar para se tornar:

1. Uma liderança

Ser líder é mais do que delegar funções, supervisionar tarefas e acompanhar resultados. Apresentar-se como líder significa adotar uma postura estratégica, fundamentada em inteligência emocional e empatia para a manutenção de um relacionamento saudável com as demais pessoas da equipe.

A liderança é a união de todas as demais habilidades, pois, para exercê-la, é necessário saber se comunicar, ser criativo e ter flexibilidade.

2. Mais comunicativo

Não há outra maneira de expor de forma clara e lógica ideias e informações que não seja se comunicar efetivamente.

Em qualquer ambiente, essa habilidade é imprescindível. Seja no momento de conversar com o cliente, com o advogado da outra parte, com a equipe, com os servidores dos Tribunais ou com o próprio Juiz.

Comunicar-se é a arte de se fazer entender pelos mais diversos públicos. Também a de escutar e escrever de maneira certa. Porque a comunicação vai além do verbal e requer habilidades de persuasão. Não para fazer valer as próprias ideias, e sim para se fazer entender e compreender o outro assertivamente.

3. Um pensador criativo

Na advocacia, que frequentemente precisa buscar soluções para os mais diferentes tipos de problema, o pensar criativo é uma soft skill praticamente indispensável.

Por mais que a base de tudo seja a legislação civil, trabalhista e afim, não significa que não hajam desafios para serem resolvidos criativamente.

Ainda, embora algumas pessoas acreditem que não há como, a criatividade pode, sim, ser desenvolvida. Há muitas maneiras de se fazer isso.

Elaborar soluções de forma rápida e inovadora faz parte da capacidade de criar e em um mercado tão competitivo como o da advocacia, ganha a preferência quem encontra novas maneiras de resolver os problemas de sempre.

4. Resiliente

Também entendida como adaptabilidade e flexibilidade, a resiliência é uma soft skill que influencia não só na vida profissional como na pessoal.

As transformações ocorrem em todas as esferas. No entanto, talvez sejam mais percebidas na advocacia devido à rápida inserção da tecnologia em um meio tão conservador.

Novidades surgem a todo momento. Entretando, nem sempre se está preparado para elas. A resiliência não torna isso problema, e sim entende o proveito que pode advir do novo que se inseriu no contexto.

Profissionais resilientes são vistos como aqueles capazes de enfrentar qualquer situação problemática, de mudanças ou pressão e sair bem dela.

Enfim, quando se fala no desenvolvimento de soft skills nos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, o principal é compreender que são habilidades que contribuem para uma ação mais assertiva, independentemente do momento. E que mais do que desenvolvê-las para garantir a competitividade profissional, trabalhar essas habilidades é crucial para a vida em sociedade.